Caso de sucesso: proteção antiexplosão em planta petroquímica
Como a Tecnovent redesenhou o sistema de venting para cumprir ATEX 2024.
Uma planta petroquímica que combina armazenamento de solventes com manuseamento de sólidos pulverulentos estava a rever o seu documento de proteção contra explosões. O diagnóstico mostrou que o venting existente não cobria todos os equipamentos e que não havia qualquer elemento de isolamento entre equipamentos ligados por condutas. Este é o planeamento técnico da intervenção e as decisões que o sustentam.
O ponto de partida
A instalação juntava dois riscos distintos sob o mesmo enquadramento ATEX: atmosferas explosivas de vapor no parque de tanques de solvente e atmosferas de poeira combustível no transporte pneumático e nos filtros de mangas. Os ventings de tanque descarregavam para a atmosfera sem corta-chamas certificado, vários equipamentos da linha de sólidos não tinham superfície de venting dimensionada e nenhuma das condutas que ligavam filtro, ciclone e silo dispunha de isolamento de explosão.
O que exige a regulamentação
O enquadramento é duplo: a Diretiva 2014/34/UE (ATEX 114) regula os equipamentos destinados a atmosferas explosivas e a 1999/92/CE (ATEX 153) obriga o operador a classificar zonas e a manter um documento de proteção contra explosões. Na prática, isso traduz-se em três decisões técnicas: evitar a formação da atmosfera explosiva sempre que possível, eliminar as fontes de ignição e — quando nenhuma das duas é suficiente — limitar os efeitos da explosão através de venting, supressão e isolamento.
A solução implementada
- Painéis de venting dimensionados segundo a EN 14491, a partir dos valores Kst e Pmax obtidos em ensaio laboratorial com a poeira real da instalação e não com valores de tabela.
- Válvula de isolamento de explosão do tipo flap na conduta de aspiração, conforme a EN 16447, para impedir que a frente de chama e a onda de pressão se propaguem ao equipamento contíguo.
- Corta-chamas certificados segundo a EN ISO 16852 nos ventings dos tanques de solvente, selecionados pelo grupo de explosão do vapor e pelo tipo de deflagração ou detonação previsível.
- Válvulas pressão-vácuo dimensionadas segundo a API 2000 nos tanques atmosféricos, substituindo ventings abertos.
- Deteção de faíscas com extinção automática no transporte pneumático, como barreira anterior à própria explosão.
Porque o isolamento foi a peça-chave
O erro mais habitual em instalações deste tipo é proteger cada equipamento isoladamente e esquecer as condutas que os ligam. Uma explosão iniciada num filtro acelera ao propagar-se pela conduta e chega ao silo contíguo com pressão e velocidade muito superiores às da explosão original: o equipamento recetor, dimensionado para uma deflagração normal, falha. O venting por si só não o evita; apenas um elemento de isolamento — flap, válvula de fecho rápido ou barreira química — corta a propagação.
O que se aplica a outras instalações
- Caracterizar a poeira em laboratório antes de dimensionar: Kst e Pmax reais alteram por completo a superfície de venting necessária.
- Tratar cada conduta de interligação como um ponto de proteção e não como tubagem.
- Verificar a compatibilidade química e a temperatura de serviço do corta-chamas, e não apenas o seu grupo de explosão.
- Fechar o ciclo documental: a proteção só é válida se ficar refletida no documento de proteção contra explosões e no plano de manutenção.
A Tecnovent projeta e fornece sistemas completos de proteção antiexplosão: venting, isolamento, supressão, corta-chamas e proteção de tanques. Se está a rever o documento de proteção contra explosões da sua instalação, descreva-nos o cenário e propomos o âmbito.
Perguntas frequentes
Porque não basta instalar painéis de venting?
Porque o venting protege cada equipamento isoladamente, mas não impede que a explosão se propague pelas condutas que os ligam. Apenas um elemento de isolamento — flap, válvula de fecho rápido ou barreira química — corta essa propagação.
É preciso medir o Kst da poeira ou podem usar-se valores de tabela?
Tem de ser medido em laboratório com a poeira real da instalação. Os valores Kst e Pmax reais alteram por completo a superfície de venting exigida pela EN 14491.
Que normas se aplicam a um sistema antiexplosão deste tipo?
EN 14491 para o dimensionamento do venting, EN 16447 para o isolamento com válvula flap e EN ISO 16852 para os corta-chamas, tudo sob a ATEX 2014/34/UE para os equipamentos e a 1999/92/CE para o documento de proteção contra explosões.
O que se revê primeiro numa instalação que combina solventes e poeira?
Os pontos onde convivem ambos os riscos: ventings de tanque sem corta-chamas certificado, equipamentos da linha de sólidos sem superfície de venting dimensionada e condutas de interligação sem isolamento de explosão.